Conhecido como “o julgamento do século”, o caso de assassinato de Nicole Brown Simpson e Ronald Goldman, levou o famoso jogador de futebol americano, O.J. Simpson, para os tribunais. Não apenas porque ele era o ex-marido inconformado com o fim da relação e porque o caso se tornou um marco do feminicídio midiático, mas porque todas as pistas apontavam para ele.
Mesmo com o fim do julgamento, em 1995, o inocentando das acusações, o caso de assassinato ganha novas versões todos os anos e todo mundo tem algo a dizer sobre.
Com relatos inéditos de pessoas que fizeram parte do caso nos anos 1990, o documentário dividido em 4 episódios traz perspectivas novas sobre o crime. Mas será que são tão novas assim?
JULGAMENTO DO SÉCULO
Com nosso sistema cerebral sobrecarregado de informações sobre o crime, os acontecimentos durante os dias de julgamento não apresentam nada novo de verdade. Exceto, é claro, para quem nunca ouviu falar do crime.
A verdade é que já sabemos muito bem de todos os desdobramentos do caso judicial, porque o julgamento foi completamente televisionado e teve uma interferência direta da mídia na decisão. Especialmente porque deixou de ser um crime de feminicídio e passou a ser um crime racial, pelos olhos do público que acompanhava de casa.
Quem assistiu ao seriado que recontou o caso (“American Crime Story: The People v O.J. Simpson”) a história só parece uma eterna lamentação repetitiva, como os envolvidos colocando seus pontos de vista sobre o comportamento de Simpson durante o processo de investigação e de julgamento.
RELATOS REAIS
Por outro lado, a história fica muito mais interessante quando vista pelo ponto de vista dos envolvidos. E mesmo que com depoimentos editados, as suas versões são mais interessantes do que nos tribunais, porque são mais sinceras, diretas e parciais.
Sendo o principal diferencial do caso até então, essa talvez tenha sido a melhor aposta da direção do documentário, porque ouvir os envolvidos falando sobre gera uma atenção maior aos detalhes. Coisa que fica difícil de distinguir quando documentários mais curtos ou programas inspirados no crime são apresentados ao público.
A história realmente fica mais real e as fotos do crime são apresentadas abertamente durante as discussões sobre os acontecimentos. A proporção de entendimento se estende e temos a chance de tirar nossas próprias conclusões sobre os envolvidos também, para além do julgamento em si.
CONCLUINDO…
Gosto muito do enredo que foi criado ao redor do caso todo, tanto como feminicídio quanto como crime de racismo, porque ambas as narrativas estão corretas por algum ângulo. Assim como estão erradas por outros tantos ângulos.
O que importa, no fim das contas, é que um crime foi cometido e vários outros se seguiram depois disso, empurrando seus envolvidos em montanhas russas emocionais irrecuperáveis e sinistras. Afinal, quando vidas são ceifadas de forma tão violenta e a coisa toda vira um cinco midiático, é meio óbvio que todo mundo vai ter uma ou duas coisas para dizer sobre o caso.
No entanto, a única novidade que o documentário apresenta são as provas verbais dos envolvidos e nada aumenta ao redor disso. A mídia fez seu trabalho para o bem e para o mal, e inevitavelmente já sabemos tudo que poderíamos saber. Por isso, o documentário ganha só três saquinhos de pipoca.
Foto de capa – reprodução: Netflix
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